Arte Egípcia

A cultura egípcia aparece no final do Neolítico em paralelo com outras culturas fluviais como as mesopotâmicas (sumérios, babilónios).
A arte Egípcia nasce por volta de 4.000 ao 3.200 a.C. Os seus inícios foram similares à última pintura pré-histórica do mediterrâneo. São sobretudo silhuetas planas que flutuam no espaço, não existindo linha de terra.
Devido à aridez do deserto e à presença do natrão, os corpos dos defuntos não se decompunham, daí vem a crença da imortalidade e passa-se à mumificação. Nessa altura os defuntos eram enterrados no solo da habitação dos familiares, ficando assim a fazer parte da família como se de um membro vivo se tratasse. Com a sofisticação do culto dos mortos passou-se a fazer jazigos, as chamadas casas dos mortos, e isso determinou um grande avanço na pintura, pois que passaram a ser finamente decorados com as histórias de vida do defunto, contada por imagens (pode-se dizer que foram os impulsionadores da banda desenhada).
Em 3.200 a.C. aparece por fim a linha do chão onde as figuras assentam, no entanto não existe profundidade nem viria a existir até alguns milénios depois. A pictografia egípcia determinou a origem da escrita hieroglífica; imagens que refletem conceitos e chegam a formar um alfabeto com vários milhares de carateres (Este é o mesmo conceito do mandarim ou do japonês embora estes tenham sofrido alterações, transformando as antigas figuras em imagens estilizadas; letras).
Saber ler e escrever era somente reservado às classes mais altas, os escribas necessitavam anos de aprendizagem e eram representados, nas pinturas murais, com a mesma dignidade de um sacerdote ou um príncipe.
A arte Egípcia possui uma sensibilidade inata; resulta num meio excelente para transmitir mensagens estéticas. Nela observam-se equilíbrio, harmonia de formas, e uma grande gama de cores que a tornam atrativa, ao mesmo tempo que lhe confere uma grande carga religiosa. Foi por esta altura, no reinado do Faraó Narmer que foi unificado o Alto e o Baixo Nilo. A arte sofre alteração e novos códigos artísticos veem à luz. Utiliza-se o baixo-relevo em associação com a pintura.
Por essa altura a figura humana sofre uma transformação de retorcimento. Aquela que é mais conhecida nos dias de hoje.
Ao contrário do que se possa pensar, as figuras não são vistas de perfil, elas são quase sempre mostrada de frente, como se caminhasse para o espectador no entanto a forma de a retratar era de que a cabeça, os pés e as mãos aparecem como se a figura caminhassem para um dos lados, mas na verdade o tronco está visto de frente.
A pintura egípcia, tendo nascido para decorar mausoléus e para ser apreciada pelo morto que julgavam eterno ou pelos deuses, que o acompanhavam na morada, com o novo culto dos mortos, por volta de 1.500 a.C. ao 1.080 a.C. os egípcios passaram a celebrar, em datas específicas, tais como aniversários ou o dia dos mortos, rituais em memória do defunto que constavam por visitas ao jazigo e fazerem banquetes em sua homenagem. Por essa altura as pinturas já não eram para serem apreciadas pelo morto, mas pelos vivos, dando assim uma mostra de status. Pela primeira vez a pintura se tornou “arte”, no verdadeiro sentido da palavra e não unicamente motivo de culto.