O Fauvismo

Os pintores Matisse, Derain, Braque, Vlaminck e Dufy que pretendiam transformar a pintura sem, no entanto, proceder à rutura total com a fórmula artística do final do século, fundaram em 1904 o grupo que viria a ser o impulsionador da arte moderna em França. Este grupo foi apresentado pela primeira vez ao público no Salão de outono de 1905 em Paris, onde o crítico de arte, Luis Vauxcelles, os alcunhou de “feras” (Fauves), devido à agressividade no emprego das cores (Todos adotaram as cores planas do impressionismo por associação à luz assim como a falta de perspetiva nas suas obras). Nascia assim um estilo que ficaria conhecido por Fauvismo.
A simplificação das formas das figuras e o emprego das cores puras e intensas sem misturas, são a tónica do Fauvismo. As figuras não são representadas tal qual a forma real, ao passo que as cores são usadas da maneira gritante. Como movimento durou cerca de cinco anos mas exerceu uma forte influência no uso do desenho e da cor, mais que qualquer outro no século XX. O fauvismo derivou das puras e fortes pinceladas de Van Gogh, das formas simplificadas e planas de Gauguin e do desprezo que ambos mostraram pelo académico e pela composição formal.
Henri Matisse foi a figura central do grupo original fauvista. Na sua pintura “Grande Interior em Vermelho” deixa presente a intensidade fauvista do colorido, embora usado com resultados bastante diferentes já que o vermelho é por norma uma cor exaltante, aqui, devido ao efeito da composição, dá-nos uma sensação de profundo repouso. Não em vão Matisse era conhecido pelo mestre na cor.

Retrato de Madame Matisse ou Retrato com franja verde, 1905, Henri Matisse. Museu Nacional de Arte, Dinamarca