A Arte Rupestre

Foi há 40 mil anos que o homem esculpiu em pedra os primeiros objetos de cariz artístico, pensa-se que por necessidades mágicas ou religiosas, conhecidos nos dias de hoje por arte rupestre.
Criar o primeiro objeto, “obra artística”, foi o momento de viragem que marcou a separação da espécie homem das restantes espécies animais, tornara-se artista, humano e inteligente, foi essa a centelha que o levaria, milhares de anos depois, à exploração do espaço e à descoberta do código genético.
O desenho, ou a arte bidimensional, tardou mais a aparecer, os primeiros remontam a 25.000 a.C. Estas imagens apareceram no Paleolítico Superior e são sobretudo desenhos riscados em sulcos sobre paredes e pedras.
O Vale do Coa, um afluente do rio Douro, no norte de Portugal, tem o maior o mais antigo registo de arte rupestre mundial, pertencente ao paleolítico superior. Aí, milhares de desenhos representando animais, datados de 20.000 a.C., mostram-nos que existia, já então, preocupações estéticas. Surpreendentemente as figuras humanas são quase inexistentes.
Por volta de 18.000 a.C. o homem já cobria o corpo com pinturas de terras, à semelhança do que se pode ainda hoje encontrar em algumas tribos africanas. Apareciam assim, por esta altura, os primeiros pigmentos com base nas terras ocres, castanhos, vermelhos e negras que rapidamente começaram a servir para a decoração das cavernas. Estas primeiras imagens pintadas consistiam em formas simples como mãos, folhas e até alguns desenhos abstratos. Eram sobretudo conseguidos soprando o pigmento sobre as mãos, e outros objetos, apoiados nas paredes, ficando assim impressa a sua forma no negativo. Pintura propriamente dita com instrumentos como os pincéis rudimentares, só mais tarde aparecem. Para que serviriam esta pinturas? Talvez uma forma de comunicar, de escrita ou de marcação de território, no entanto existia já a preocupação de representação por meio da matéria que é propriedade humana e de nenhuma outra espécie.
O expoente máximo na representação da arte pré-histórica apareceu por volta do ano 15.000 a.C. com as magníficas pinturas das grutas de Altamira em Espanha e Lascaux em França. O tema são os animais, mais que qualquer outro, muito raramente uma figura humana, enquanto a mulher nunca fora pintada no Paleolítico. Pensa-se que os trabalhos de pintura obedeciam a algum ritual sagrado ou de caça, daí o ser humano, raramente ser representado, neste período e nos anteriores, por medo de perder o próprio espírito ou por humildade frente à tónica da pintura, o Sagrado.
Só no Mesolítico, por volta do 8.000 a.C., na zona que circunscreve o Mediterrâneo, apareceram as primeiras representações da figura humana como protagonista da representação na qualidade de caçador, o homem dominador. Desta vez também são representadas mulheres. Na ilha italiana da Sicília é onde se podem encontrar as mais antigas representações de humanos.
A última fase da pintura pré-histórica desenvolveu-se no Neolítico onde aparece a agricultura e se formam os primeiros povoados sedentários do próximo e médio oriente entre 8 mil e 6 mil a.C.
Nessa altura a pintura já não se aplica sobre as paredes nuas, mas sobre o estuque que as cobria, criavam-se assim os primeiros frescos muito rudimentares mas de uma qualidade superior à pintura sobre a rocha.